Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul
AS ETNIAS EM JARAGUÁ DO SUL HISTÓRICO Em setembro de 2002 implantou-se o Setor de Resgate Étnico-Cultural. Desenvolveu-se então uma pesquisa com alunos de 5ª a 8ª série envolvendo em torno de 800 famílias (aprox. três mil pessoas) de vários bairros do nosso município a fim de aproximar o número de descendentes das etnias : Alemã, Italiana, Húngara e Polonesa . Comprovamos de que 45% tem descendência alemã, 25% italiana, 3% húngara e 6% polonesa, sendo que os 21% restantes pertencem a outras etnias incluindo os afro descendentes. Jaraguá do Sul, muito antes da chegada de Emílio Carlos Jourdan, teve seus habitantes – os índios Xokleng. Com a colonização vieram os: alemães, italianos, húngaros, poloneses e negros. Cada uma dessas etnias veio com suas características sócio-culturais. os comportamentos, Valorizamos o passado quando sabemos que o presente é o resultado de árduas labutas e que somos os herdeiros de tudo que está aos nossos pés, porque alguém empenhou-se em construir mais, e destruir menos. INTEGRAÇÃO DAS ATIVIDADESTodas as atividades do Setor de Resgate Étnico-Cultural estão integradas com as Associações Étnicas, com a Liga de Grupos Folclóricos e Entidades que promovem a cultura étnica de Jaraguá do Sul, sendo o elo de ligação entre o Poder Público e a iniciativa privada. Nossa identidade cultural “Quanto mais globalizado o mundo fica, nós seres humanos vamos perdendo nossa individualidade e o nosso EGO vai definhando diante da imposição do ego global. Aos poucos, anulamos nossas opiniões e nossa auto-estima se mistura aos comportamentos generalizados. Perdemos o orgulho de sermos descendentes de uma etnia, pertencentes a um clã familiar. A nossa árvore genealógica se perde no emaranhado da floresta global onde passamos apenas a ser mais um na multidão. A cultura não existe no ar mas sim como a própria palavra sugere, é algo que se cultiva individualmente preservando um herança familiar num contexto social . A religiosidade, a culinária, o gosto pela música, dança, canto, artes, a tradição da língua, o aprendizado de um ofício, a prática de esportes, as qualidades e “vícios” , tudo o que faz parte da cultura de um povo, é herdada ou não...depende do cultivo, pois podemos deixar uma safra farta para os nossos descendentes ou simplesmente guardarmos os nossos conteúdos e morrermos egoisticamente com eles. Sabemos que a reconstrução de uma cultura é muito mais lenta do que a destruição. As tradições seculares foram abatidas pelos machados da modernidade e pelo capitalismo globalizante, ofuscando os verdadeiros valores que podem ser REVIVENCIADOS a partir de iniciativas e ações contínuas recriando uma consciência comunitária em torno de valores que se assemelham de acordo com cada etnia. Certamente temos muito a ganhar como pessoas sociáveis e socializantes que somos e sobretudo, como grupos pertencentes a um povo que se identifica através de suas características peculiares. Poderemos resgatar o espírito de solidariedade, melhor convivência, uma religiosidade mais consistente, bem como revitalizar aquelas características folclóricas ( do canto, da dança e da confecção de objetos típicos), que são inerentes a cada grupo étnico. Não seja simplesmente , mais um entre muitos, pois o anonimato é um suicídio social e valorize suas origens, reaprenda o idioma de teus antepassados (talvez muito mais importante do que a língua Inglesa imposta pela americanização). Revitalize a religiosidade pura dos “Nonos, Oma i Opa , Dziadek i Bapcia, dos Bankoko”. Reaprenda os cantos que tocam a tua alma e seja menos poluído pelo lixo musical depositado em sua mente pela mídia marketeira...pois se um dia te perguntarem : de onde vieste e para onde vais ??? talvez não tenhas nenhuma resposta então realmente te sentirás insignificante”. ( Ignácio Arendt) CONCEITOS PRELIMINARES SOBRE ETNICIDADE Os conceitos de grupo étnico, identidade étnica e etnicidade têm uma complicada trajetória teórica na Antropologia. As dificuldades podem ser constatadas nas muitas coletâneas, textos de resenha e estudos de caso publicados desde a década de 1960. A unidade concreta de análise — o grupo étnico — tem sido definida por diferentes combinações de características que vão da cultura comum à identidade étnica simbolicamente construída. A revisão do conceito — realizada a partir de trabalhos de autores como Abner Cohen (1969) e Frederick Barth (1969), por exemplo — resultou na incorporação das noções de identidade étnica e etnicidade, com críticas contundentes à concepção tradicional que concebia o grupo étnico como unidade cultural distinta, separada. O aparente desencontro de tantas definições não traz dificuldades à análise dos fenômenos étnicos. Ao explicitar sua definição de grupo étnico e etnicidade, Cohen (1974) adverte que deve prevalecer aquela que o pesquisador julgar mais útil para a análise de certos problemas teóricos. Sem reducionismos, cada caso tem suas especificidades. O risco da ubiqüidade está sempre presente, até porque quase todas as definições tendem a ser muito amplas e, quando usadas sem critério, podem transformar qualquer coisa em fato étnico. Como mostrou Ronald Cohen (1978), houve uma certa pressa em aplicar termos como “étnico” e “etnicidade” àquilo que, no passado, estava subsumido em rótulos como “cultura”, “tribo”, etc. Uma definição mais ou menos objetiva de grupo étnico deve destacar pelo menos dois aspectos: é um grupo cujos membros têm uma identidade distintiva atribuída, e sua distintividade está baseada numa cultura e numa história comuns. Seu caráter étnico é dado pela identidade étnica fundamentada na noção de etnicidade — o que significa a classificação categórica dos membros do grupo a partir de um conjunto de critérios de pertencimento que incluem características culturais e sociais objetivamente identificáveis, assim como elementos de natureza simbólica que às vezes remetem à origem presuntiva do grupo ou à sua tradição. Max Weber enfatizou a força simbólica da origem comum, que permeia a idéia de pertencimento a um grupo étnico, reforçada pelo que chamou de Gemeinsamkeitgefühl (sentimento de vida em comum). A etnicidade, “tal como é hoje usada na Antropologia, expressa uma mudança para os contextos multiculturais e multiétnicos nos quais a atenção é focalizada numa entidade — o grupo étnico — que é marcada por algum grau de comunalidade cultural e social” (Cohen 1978, 386). Os critérios de pertencimento podem não ser os mesmos para os membros do grupo e para os que não pertencem a ele, mas pressupõem o estabelecimento e manutenção de limites étnicos. A etnicidade, portanto, oferece um conjunto de identificadores culturais e sociais que relacionam pessoas a um grupo específico através de critérios de inclusão e exclusão que podem mudar no curso da história. CONTATO COM A TERRA O congresso brasileiro de folclore diz que : " Constituem o fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir do povo, preservadas pela TRADIÇÃO e pela IMITAÇÃO, e que não sejam diretamente influenciadas pelos círculos eruditos e instituições que se dedicam ou a renovação e conservação do patrimônio científico e artístico humano ou a fixação de uma orientação religiosa e filosófica". No decorrer desta pesquisa abordaremos estes diferentes aspectos. |




